Histórias de sucesso no semiárido mineiro mostram como o retorno à terra natal trouxe novas oportunidades.
José Natalino e Jeremias dos Santos, ex-retirantes do Vale do Jequitinhonha, mudaram suas trajetórias ao retornarem para suas terras, onde agora se dedicam à agricultura familiar. Após anos de migração em busca de trabalho em lavouras distantes, eles conquistaram a propriedade de suas terras e transformaram suas vidas.
A reportagem do Estado de Minas, que percorreu mais de 2.100 quilômetros pelo sertão mineiro, revela como esses homens, que antes enfrentavam uma rotina exaustiva no corte de cana, agora colhem os frutos do seu trabalho em suas propriedades. Jeremias, por exemplo, conta que deixou sua terra aos 19 anos e, após um período difícil, decidiu voltar e investir na agricultura. Hoje, ele planta cana, milho, feijão e mandioca, com o auxílio de crédito do Banco do Nordeste.
“A gente trabalhava de sol a sol, mas agora a vida melhorou muito”, afirma Jeremias, que destaca a importância da Barragem do Calhauzinho para a irrigação de suas lavouras. O retorno à terra não apenas melhorou a qualidade de vida deles, mas também trouxe alívio para suas famílias, que antes enfrentavam a solidão e a incerteza durante os longos períodos de ausência dos maridos.
José Natalino, que também deixou a região para trabalhar em canaviais, compartilha uma experiência semelhante. Após a morte de seu pai, ele decidiu não mais sair de Araçuaí e começou a diversificar suas plantações. “Hoje, tenho uma vida mais digna”, diz ele, ressaltando que a agricultura familiar não só garante sustento, mas também fortalece os laços familiares.
Essas histórias de superação refletem uma mudança significativa no Vale do Jequitinhonha, que historicamente foi marcado pela migração em busca de melhores condições. Agora, com o acesso à água e novas tecnologias, a região se torna um exemplo de como a agricultura familiar pode gerar oportunidades e dignidade para seus habitantes.