Cultura Regionais

A TRAJETÓRIA DE LUZIA PINTA: DA ESCRAVIDÃO À RESISTÊNCIA EM SABARÁS

Por Redação #Região

História da mulher que conquistou sua liberdade e enfrentou a Inquisição em Minas Gerais


A história de Luzia Pinta, uma mulher que desafiou as barreiras da escravidão e da intolerância religiosa na Minas colonial, tem ganhado destaque nos últimos anos. Nascida na região de Luanda, na África, Luzia foi vendida e enviada para Salvador, na Bahia, antes de chegar a Sabarás entre as décadas de 1700 e 1710. Em 1718, após acumular recursos, ela conseguiu pagar sua alforria com 300 oitavas de ouro, equivalente a mais de 1 kg do metal precioso.

Como mulher livre, Luzia se tornou senhora de alguns escravos e proprietária de um sítio próximo à Igreja Nossa Senhora da Soledade. Ali, ela praticou o ritual conhecido como ‘calundu’, que mesclava cura e religiosidade, atraindo a atenção de autoridades locais. No entanto, sua atuação como ‘calunduzeira’ a colocou em conflito com a Igreja, resultando em denúncias que culminaram em seu processo pela Inquisição em 1741.

O historiador Douglas Lima, que dedicou anos de pesquisa à vida de Luzia Pinta, destaca que ela não apenas enfrentou a opressão da Igreja, mas também se tornou um símbolo de resistência e ancestralidade. Em sua dissertação de mestrado e em publicações subsequentes, Lima revelou documentos históricos que mostram a trajetória de Luzia e sua luta por liberdade e reconhecimento.

Recentemente, a história de Luzia Pinta inspirou obras literárias e até um samba-enredo de uma escola de samba do Rio de Janeiro, que homenageará sua vida no carnaval de 2027. Além disso, um espaço cultural em Sabarás foi inaugurado em sua memória, com exposições e atividades para celebrar sua contribuição à história local.

A trajetória de Luzia Pinta reflete a complexidade das relações entre as religiões africanas e o catolicismo no Brasil colonial, além de ressaltar a importância da pluralidade religiosa nos dias atuais. A luta de Luzia, que passou por três continentes, é um testemunho da resistência e da força das mulheres que desafiaram as normas sociais de sua época.

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