Polícia Regionais

ATLAS DA VIOLÊNCIA 2026 APONTA SUBNOTIFICAÇÃO EM MINAS GERAIS

Por Redação #Região

Levantamento revela que queda nos homicídios pode ser influenciada por registros imprecisos.


O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26/5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que a aparente redução nos homicídios em Minas Gerais pode estar sendo afetada por uma subnotificação das mortes violentas. O estudo aponta que, embora os dados oficiais indiquem uma queda de 2,3% nos homicídios entre 2023 e 2024, passando de 2.795 para 2.731 casos, a inclusão de homicídios ocultos altera drasticamente o cenário.

De acordo com os pesquisadores, os homicídios ocultos, que são mortes registradas sem definição clara de causa, podem ter elevado o número total de mortes violentas em Minas para 3.949 em 2024, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. O estado, que possui uma taxa estimada de 18,5 mortes por 100 mil habitantes, continua a figurar entre os que têm as menores taxas de homicídio do país.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) defende a queda dos assassinatos e esclarece que as mortes violentas não são estritamente classificadas como homicídios. Em nota, a secretaria argumenta que a metodologia utilizada no Atlas considera dados da Secretaria de Estado de Saúde sobre Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), que podem não ser definidas como homicídios em um primeiro momento.

O levantamento também destaca que, em 2024, Minas Gerais registrou 1.218 homicídios ocultos, um aumento de 240,2% em relação ao ano anterior. Este crescimento acelerado levanta preocupações sobre a precisão dos registros de violência no estado e a necessidade de uma revisão nos procedimentos de classificação das mortes.

Além disso, o estudo revela que a violência continua a afetar desproporcionalmente grupos minoritários. Em 2024, 77% das vítimas de homicídio no Brasil eram negras, e em Minas, a taxa de homicídios entre pessoas negras foi 2,3 vezes superior à de não negros. O especialista em segurança pública Luiz Flávio Sapori enfatiza a importância de abordar esse aumento de mortes sem classificação definitiva como um problema institucional, que pode distorcer a percepção da violência no estado.

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