Economia\Negócios Regionais

CERRADO MINEIRO PREVÊ SAFRA RECORDE DE CAFÉ EM 2026, MAS CHUVAS PODEM IMPACTAR QUALIDADE

Por Redação #Região

Expectativa é de 2,8 milhões de sacas de café arábica, mas cafeicultores alertam para riscos climáticos.


O Cerrado Mineiro está prestes a registrar uma safra recorde de café em 2026, com uma expectativa de produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica. A informação foi confirmada por Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), que representa mais de 800 produtores da região.

Apesar da boa notícia, os cafeicultores estão preocupados com a ocorrência de chuvas fora de época durante o período de colheita, que pode comprometer a qualidade do grão em até 30%. Simão destaca que, normalmente, as chuvas na região cessam em junho e retornam apenas em setembro, permitindo uma colheita mais seca. No entanto, este ano, chuvas isoladas em junho e julho resultaram em um acúmulo de aproximadamente 80 mm, o que pode afetar a colheita.

As chuvas nesse período crítico provocam a derrubada de frutos maduros, dificultando a colheita mecanizada e potencialmente resultando em fermentação. Além disso, a umidade retarda o processo de secagem do café, essencial para garantir sua qualidade. A taxa normal de queda de frutos maduros em uma safra é de cerca de 10%, mas neste ano, a expectativa é que chegue a 30% na área de abrangência da Expocacer.

Embora a safra de 2026 seja promissora, Simão alerta que não será suficiente para recompor os estoques de café, que foram significativamente reduzidos entre 2021 e 2025. Para isso, seriam necessárias pelo menos duas safras grandes consecutivas, algo que só deve ocorrer em 2028, devido à bienalidade negativa prevista para a safra de 2027.

Além das preocupações com as chuvas, o fenômeno climático El Niño pode impactar negativamente a próxima safra. Esse fenômeno geralmente resulta em períodos de seca e altas temperaturas, que podem afetar a florada e o desenvolvimento dos grãos, comprometendo ainda mais a produção futura. Com cerca de 35% da área plantada de café irrigada, os produtores estão adotando medidas de mitigação, mas a irrigação não substitui a necessidade de chuvas regulares para o desenvolvimento saudável das plantas.

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