HISTÓRIA DE LUZIA PINTA REVELA DESAFIOS DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL COLONIAL
Pesquisador Douglas Lima explora a vida da escravizada que enfrentou a Inquisição em novo livro
O historiador Douglas Lima, que há 17 anos pesquisa a vida de Luzia Pinta, destaca a importância de sua trajetória como uma “declaração de amor à História”. Luzia, que nasceu em Luanda, Angola, no fim do século 17, foi vendida como escrava e chegou ao Brasil, onde enfrentou os horrores da Inquisição. Lima, que defendeu sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais em 2014, lançou em 2020 o livro “Libertos, patronos e tabeliães: a escrita da escravidão e da liberdade em alforrias notariais”, onde narra a complexa história dessa mulher.
Luzia Pinta foi batizada católica na infância, mas manteve sua religiosidade africana, participando de rituais que envolviam possessões por espíritos. Após conquistar sua alforria em 1718, tornou-se uma figura respeitada em Sabarà, onde realizava rituais conhecidos como “calundu”, atraindo até mesmo a elite local. No entanto, sua vida mudou drasticamente após ser denunciada à Igreja em 1727, resultando em sua prisão e condenação pela Inquisição em Lisboa.
As descobertas de Lima sobre Luzia começaram em 2012, quando encontrou sua carta de alforria em um arquivo histórico. Ele destaca a importância de sua pesquisa para compreender a escravidão e as formas de resistência e adaptação dos africanos no Brasil. A trajetória de Luzia Pinta não é apenas uma história de dor, mas também de luta e resiliência, refletindo a pluralidade religiosa e cultural do Brasil colonial. O trabalho de historiadores como Lima é fundamental para trazer à luz narrativas que foram esquecidas ao longo do tempo.