MULHER TRANS DE 56 ANOS CELEBRA ENVELHECIMENTO E DESAFIA ESTATÍSTICAS EM JUIZ DE FORA
Jade Dias se tornou referência de acolhimento para jovens LGBT+ em sua comunidade.
Neste Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em 28 de junho, Jade Dias, de 56 anos, celebra sua trajetória de vida em Juiz de Fora, Minas Gerais. Nascida em uma época de repressão e invisibilidade, Jade enfrentou diversas adversidades, incluindo a prostituição e a dependência química, antes de se aceitar plenamente como mulher trans. Sua história é um testemunho de resistência e luta pela sobrevivência em um país onde a expectativa de vida para pessoas trans é alarmantemente baixa.
Durante sua infância, Jade cresceu em uma família numerosa e percebeu desde cedo que não se encaixava nas expectativas impostas a seu gênero. “Vivi muitos anos negando quem eu era. Passei parte da vida sobrevivendo, não vivendo, e agora estou viva e feliz, valeu a pena lutar”, afirma. Após uma longa jornada, ela finalmente teve acesso à cirurgia de redesignação sexual em 2017, após quase uma década de espera pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, Jade é uma figura importante no bairro Dom Bosco, onde oferece apoio e acolhimento a jovens LGBT+. Sua experiência de vida a levou a compartilhar sua história como forma de cuidado coletivo, ajudando outros a enfrentarem suas próprias batalhas. “Sinto que me expor ajuda outras pessoas. Preciso contar a minha história”, diz Jade, que se tornou uma voz de esperança em uma comunidade que ainda enfrenta muitos desafios.
A trajetória de Jade é emblemática em um contexto onde o Brasil é considerado o país que mais mata pessoas trans, com 80 assassinatos registrados em 2025. Apesar de todas as dificuldades, Jade superou a expectativa de vida da população trans, que é de cerca de 35 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Ao olhar para o futuro, Jade conclui: “Minha conclusão é que vale a pena lutar. Olha para mim: estou viva”.