TRANSFERÊNCIA DE SOBREVIVENTES DO HOSPITAL COLÔNIA EM BARBACENA COMEÇA NA PRÓXIMA SEMANA
Últimos moradores do antigo manicômio serão realocados para unidade de acolhimento na zona rural.
Os últimos sobreviventes que ainda residem na área do antigo Hospital Colônia, em Barbacena (MG), iniciarão sua transferência na próxima segunda-feira, 25 de maio, para uma nova unidade de acolhimento localizada na zona rural da cidade. A medida marca o fechamento de um capítulo controverso na história da saúde mental no Brasil, com o fechamento oficial do hospital ocorrido em 27 de abril, anunciado pelo governador em exercício Mateus Simões (PSD).
Atualmente, 14 idosos permanecem em residências dentro do terreno do antigo hospital psiquiátrico. Muitos deles foram internados ainda crianças ou adolescentes, sem diagnóstico de transtorno mental, em um sistema que, por décadas, utilizou a exclusão social como justificativa para internamentos forçados. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) garantiu que todos os idosos continuarão recebendo acompanhamento médico e psicológico após a mudança.
De acordo com Michelle Guirlanda, coordenadora de Jornalismo da Fhemig, esses idosos não estão mais internados, mas permanecem na área que um dia foi o manicômio. “O antigo Hospital Colônia está fechado desde a década de 1980, portanto, este é um procedimento simbólico. Esses idosos não tinham para onde ir, então permaneceram lá enquanto o estado se responsabilizava por eles”, explica.
Os moradores, entre eles seis homens e oito mulheres, estão bastante debilitados e não possuem laços familiares, o que dificultou o recebimento de apoio ao longo dos anos. A média de internação desses indivíduos é de 50 anos, enquanto a idade média é de 73 anos, com um deles chegando a 90 anos. Eles vivem em casas normais, adaptadas para atender suas necessidades, e a transferência para o novo espaço será feita de forma gradual, com acompanhamento contínuo da equipe da Fhemig e da prefeitura.
O Hospital Colônia, inaugurado em 1903, ficou conhecido por denúncias de violações de direitos humanos, com mais de 60 mil mortes em condições degradantes. O fechamento da instituição coincide com um aumento no debate sobre memória e saúde mental em Minas Gerais, com eventos acadêmicos e sociais promovendo discussões sobre a reforma psiquiátrica e direitos humanos.