TRÊS EM CADA QUATRO VÍTIMAS DE HOMICÍDIO EM MINAS GERAIS SÃO NEGRAS
Atlas da Violência 2026 revela desigualdade alarmante nas taxas de homicídio entre grupos raciais.
Um estudo recente do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que, em 2024, 75,8% das vítimas de homicídio em Minas Gerais eram negras. Isso corresponde a 2.069 pessoas assassinadas entre um total de 2.731 mortes registradas oficialmente no estado.
Embora Minas Gerais esteja entre os estados com as menores taxas gerais de homicídio do Brasil, a redução da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos raciais. As taxas de homicídio entre pessoas negras foram de 16,5 por 100 mil habitantes, mas o risco de ser assassinado é 2,3 vezes maior para negros em comparação com não negros.
O estudo revela que, em todo o Brasil, a situação é semelhante. Em 2024, 77% dos homicídios registrados no país foram de pessoas negras, totalizando 32.820 assassinatos. A taxa nacional de homicídios entre negros foi de 27,3 por 100 mil habitantes, enquanto a de não negros ficou em 10,1, evidenciando uma disparidade significativa na violência racial.
Além disso, o Atlas aponta que a redução dos homicídios nos últimos dez anos foi mais acentuada entre pessoas não negras (38,9%) do que entre negras (21,7%). Isso sugere que, mesmo com a diminuição geral da violência, os grupos racialmente vulneráveis não estão se beneficiando da mesma forma.
Outro dado alarmante é que, em 2024, foram assassinadas 176 mulheres negras em Minas, comparadas a 87 mulheres não negras, indicando um risco 47% maior para as mulheres negras. O estudo também aponta que, entre jovens de 15 a 29 anos, foram registradas 1.157 mortes, evidenciando a concentração da violência em grupos específicos.
O Atlas da Violência ainda estima que o número real de homicídios em Minas pode ser significativamente maior do que o registrado oficialmente, com uma estimativa de até 3.949 mortes violentas, incluindo aquelas classificadas como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Isso levanta preocupações sobre a eficácia das políticas públicas de segurança e a necessidade de uma abordagem mais precisa na análise da violência.