ÚLTIMOS PACIENTES DO HOSPITAL COLÔNIA DE BARBACENA SÃO TRANSFERIDOS
Encerramento das atividades marca fim de um ciclo de exclusão social
Os últimos 14 pacientes do extinto Hospital Colônia de Barbacena foram transferidos para um lar terapêutico no município, encerrando as atividades da instituição. O fechamento simbólico do Pavilhão Antônio Carlos, com o uso de um cadeado, representa o compromisso do Governo de Minas Gerais em não repetir a história de abandono e violação de direitos que marcou o hospital ao longo de sua existência.
O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destacou a importância desse momento: “Este é o ponto final de uma história construída por diversos personagens. São 25 anos desde a Lei da Reforma Psiquiátrica e, até chegarmos aqui, foi muita luta. A história de milhares de pessoas que foram jogadas e morreram nos pavilhões se encerra hoje, com a saída dos últimos 14 pacientes. É talvez o momento mais emocionante nos anos que estive à frente da Secretaria, um legado do qual me orgulho com vocês”.
A mudança de endereço dos residentes simboliza não apenas uma mudança física, mas o fim de um ciclo de exclusão social e isolamento. Em média, os moradores permaneceram internados por 49 anos, com a idade média atual do grupo sendo de 73 anos. Três deles chegaram à instituição ainda antes de completar 15 anos.
A presidente da Fhemig, Renata Dias, e o diretor do Complexo Hospitalar de Barbacena, Claudinei Emídio Campos, também foram lembrados por sua dedicação aos pacientes. “Mesmo com toda a emoção que estamos vivendo aqui, não posso deixar de agradecer aos nossos servidores e a todos que fizeram esse momento acontecer”, afirmou Renata.
Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o Hospital Colônia se tornou um símbolo da luta antimanicomial no Brasil, com um histórico de superlotação e violações. Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição, e aproximadamente 24 mil morreram, em um período em que o local chegou a abrigar 3.500 pacientes simultaneamente. A história de Barbacena continua a ser documentada, com parte dessa memória preservada no Museu da Loucura.
Desde 2019, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) tem conduzido o processo de desinstitucionalização de usuários no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena. Desde então, 68 moradores receberam alta para continuidade do cuidado em liberdade, com 27 transferências registradas em 2022, o maior número do período. O estado investiu mais de R$ 718 milhões em ações de saúde mental, com 453 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atualmente em funcionamento, sendo 65 voltados exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes.