VEREADORES DE CATAGUASES SOLICITAM CEI PARA INVESTIGAR SUPOSTOS DESVIOS NO HOSPITAL
Comissão Especial de Inquérito pretende apurar irregularidades na gestão do Hospital de Cataguases após dois anos de intervenção.
A gestão do Hospital de Cataguases está sendo alvo de investigação por parte da Câmara Municipal, que propôs a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis desvios e a falta de transparência na administração pública da unidade de saúde. O requerimento, protocolado por um grupo de vereadores, surgiu após mais de 24 meses de intervenção municipal, período que gerou um crescente passivo financeiro, além de denúncias sobre a recusa em fornecer dados financeiros à Câmara.
A proposta para a CEI foi motivada por declarações do atual gestor da intervenção, que reconheceu a ausência de documentos que comprovem o montante exato do passivo financeiro acumulado desde abril de 2024. Estimativas indicam que a dívida original, que variava entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, aumentou em mais de R$ 16 milhões durante a gestão atual, totalizando entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões.
Outro ponto de crítica é a forma de remuneração dos interventores, que, segundo os vereadores, está sendo paga diretamente pelo hospital, em desacordo com a legislação, que prevê que os salários sejam custeados pela municipalidade. Além disso, a falta de transparência no fornecimento de informações à Câmara Municipal foi apontada como um obstáculo ao exercício das funções de fiscalização dos vereadores.
O requerimento, datado do início de junho de 2026, estipula um prazo de 90 dias para a investigação, caso seja aprovado. No entanto, até o momento, o documento conta com apenas quatro assinaturas, sendo necessário um mínimo de cinco para que a tramitação prossiga. Nos bastidores, há relatos de uma tentativa do Executivo em desarticular o apoio à CEI, oferecendo cargos e promessas de atendimento prioritário a demandas de vereadores que se alinharem ao governo.
O desfecho dessa situação e a possível abertura das investigações dependerão do apoio político na próxima sessão ordinária da Câmara Municipal.