Iniciativa busca aumentar a segurança durante o cumprimento de mandados na capital mineira.
Câmeras corporais começaram a ser utilizadas por oficiais de justiça em Belo Horizonte como parte de um projeto-piloto voltado à segurança desses profissionais. A medida foi oficializada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) na quinta-feira, 26 de março, um dia após a celebração do Dia do Oficial de Justiça.
Os equipamentos serão usados de forma discricionária, permitindo que cada servidor avalie quando acionar a gravação, especialmente em situações de risco, como em casos de violência doméstica e ordens de afastamento do lar. A implementação inicial na capital mineira visa monitorar o impacto da tecnologia no trabalho dos oficiais.
A entrega das câmeras ocorreu de forma simbólica na presidência do TJMG e faz parte de um pacote de ações para modernizar e reforçar a segurança dos oficiais de justiça. Além do uso das câmeras, o pacote inclui plantão 24 horas, apoio psicológico em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e novos protocolos de segurança.
A iniciativa busca “resgatar a respeitabilidade” da categoria, enquanto o uso das câmeras deve “proteger, inibir a violência e registrar os fatos”. A relevância do projeto é evidenciada por episódios de violência enfrentados por oficiais durante o exercício da função, como o caso da oficiala Maria Sueli Sobrinho, agredida em 2025 durante o cumprimento de um mandado.
Após o ataque, que resultou em uma fratura no nariz, Maria Sueli ficou afastada do trabalho por 40 dias e relata que os efeitos psicológicos ainda a afetam. Ela acredita que a adoção das câmeras corporais representa um avanço significativo na proteção da categoria, embora reconheça que não resolve todos os problemas de segurança. “Se a pessoa souber que está sendo gravada, isso pode inibir”, afirmou.
O projeto-piloto será monitorado pelo TJMG, que avaliará os impactos da tecnologia antes de decidir sobre a ampliação do uso das câmeras para outras comarcas do estado.
