Tremor de 2,1 não contribuiu para tragédia que deixou 66 mortos no final de fevereiro.
Um abalo sísmico de magnitude 2,1, ocorrido dois dias antes da tragédia das chuvas em Juiz de Fora, não deixou as encostas mais vulneráveis, segundo especialistas. Os deslizamentos que resultaram na morte de 66 pessoas foram causados principalmente pela combinação de chuvas extremas e a ocupação de áreas de risco.
De 22 a 28 de fevereiro, a cidade registrou 316,6 mm de chuva, totalizando 763,8 mm no mês, mais de quatro vezes a média histórica de 173 mm. O professor Roberto Marques Neto, do Departamento de Geociências da UFJF, explicou que o tremor registrado foi um fenômeno geológico comum e que tremores capazes de causar deslizamentos exigem magnitudes muito superiores.
O sismólogo Bruno Collaço, da USP, reforçou que tremores de baixa intensidade, como o de Juiz de Fora, não têm força para afetar construções ou provocar deslizamentos. Ele destacou que, mesmo em eventos mais fortes, os impactos são imediatos, não havendo relação de causa e efeito tardio.
Os especialistas alertam que a principal preocupação deve ser o monitoramento das encostas, especialmente em áreas de risco, enquanto o solo continuar saturado. A Defesa Civil recomenda que a população siga os alertas, já que a chuva continua a ser o principal fator de risco para novos deslizamentos.
