Aumento de denúncias destaca a necessidade de ações contra preconceito religioso
Minas Gerais ocupa a terceira posição no ranking nacional de intolerância religiosa, segundo dados do Disque 100, canal do governo federal para violações de direitos humanos. Em 2026, até a data da publicação, foram registradas 456 denúncias de intolerância religiosa em todo o Brasil, com 41 ocorrências registradas no estado. Este cenário alarmante é evidenciado por um aumento significativo nas denúncias, que em 2025 totalizaram 2.723 casos, superando os 2.472 de 2024 e os 1.482 de 2023.
A análise dos dados revela que a maioria das denúncias envolve adultos entre 30 e 44 anos e que a intolerância religiosa é um problema presente em todo o país, com maior concentração na Região Sudeste. Minas Gerais, em 2025, registrou 321 denúncias, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Em resposta a essa realidade, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, comemorado em 21 de março, serve como um alerta e uma celebração cultural. Instituído pela Lei nº 14.519, o dia visa valorizar a ancestralidade e a contribuição das religiões afro-brasileiras, além de reforçar a necessidade de respeito à diversidade religiosa. Em Belo Horizonte, a comemoração foi antecipada com um evento que reuniu lideranças religiosas e a comunidade acadêmica para promover o diálogo e a valorização das tradições afro-brasileiras.
Durante o evento, Pai Marcelo, dirigente da Casa do Divino Espírito Santo das Almas, enfatizou a importância de romper barreiras históricas e promover o respeito às religiões afro-brasileiras. Ele destacou que, apesar dos avanços no apoio institucional, ainda há muito a ser feito para combater a intolerância e garantir o respeito às práticas religiosas. “Esses momentos são importantes para registrar, dar visibilidade e garantir que essa tradição continue viva”, afirmou.
A situação em Minas Gerais reflete um desafio maior no Brasil, onde a diversidade religiosa deve ser transformada em convivência respeitosa. A nova Lei nº 11.934, que institui agosto como o mês de combate à intolerância religiosa em Belo Horizonte, é um passo importante nessa direção, promovendo ações educativas e políticas públicas para reverter o atual cenário de preconceito.