Construção histórica, que abriga a antiga Cerâmica João Pinheiro, enfrenta risco de demolição.
Um imóvel tombado em Caeté, na Grande Belo Horizonte, está sob a ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) devido à sua má conservação e ao risco de demolição. A antiga Cerâmica João Pinheiro, localizada na Avenida Dr. João Pinheiro, foi alvo de um pedido de tutela de urgência para evitar danos permanentes à construção.
O MPMG ajuizou uma Ação Civil Pública contra o município, que planeja demolir o edifício para a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O imóvel, tombado em 2008, possui grande valor histórico, pois forneceu materiais para a construção do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, e simboliza o desenvolvimento industrial de Minas Gerais.
Desde setembro de 2014, o MPMG já havia instaurado um inquérito civil, com recomendações para a conservação do imóvel. No entanto, a falta de ações de preservação agravou a deterioração da estrutura. A promotoria destacou a ausência de cuidados mínimos por parte dos responsáveis pela manutenção do bem cultural protegido.
Como parte da ação, o MPMG propõe medidas emergenciais que incluem escoramento de pilares, revisão de coberturas, capina e limpeza do local, além da interrupção de qualquer obra que possa descaracterizar o imóvel. O objetivo é viabilizar um projeto completo de restauro e reabilitação da antiga cerâmica.
A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Caeté, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
Em 2024, a prefeitura havia transferido a Associação dos Gestores Ambientais de Caeté (Agea) para o imóvel tombado, mas a falta de condições mínimas para habitação fez com que os funcionários se recusassem a se mudar. A presidente da Agea, Marília Santana, relatou que as condições eram precárias, sem fornecimento de água, luz ou banheiros, e que o local apresentava telhas quebradas. Atualmente, a associação está instalada em outro endereço.