Mulher tentava salvar sua cadela durante o ataque de um cão de grande porte na Pampulha.
Um passeio matinal no último domingo (29/3) se transformou em um pesadelo para a terapeuta ocupacional Thaiane Camilo de Amorim, de 30 anos, que foi atacada por um cão de grande porte enquanto passeava com sua cadela, Mel, uma vira-lata de 5 anos. O incidente ocorreu por volta das 10h20 no Bairro Bandeirantes, na Pampulha, em Belo Horizonte. Thaiane foi hospitalizada após levar oito pontos no braço devido ao ataque do animal, que escapou de uma residência próxima.
Segundo relatos da terapeuta, o cão já havia demonstrado comportamento agressivo anteriormente, correndo atrás de Mel durante um passeio em março. No dia do ataque, ao notar que o portão da casa do cão estava aberto, Thaiane decidiu pegar Mel no colo, mas o animal avançou sobre elas. “Ele me mordeu no braço, me derrubou no chão e foi para cima da Mel. Eu consegui tirá-lo de cima dela, mas foi horrível”, descreveu.
Após o ataque, Thaiane saiu em busca de Mel, que havia fugido em direção à Avenida Fleming, onde havia movimentação devido a uma corrida de rua. A terapeuta conseguiu localizar a cadela perto da lagoa da Pampulha e procurou ajuda de policiais militares. Ela foi encaminhada para a UPA Santa Terezinha, onde recebeu atendimento médico. “Naquele momento eu achei que fosse morrer”, relatou. O ferimento infeccionou, e Thaiane precisou de antibióticos mais fortes e de vacina antirrábica.
O caso de Thaiane é um reflexo de uma situação alarmante em Minas Gerais, que já contabiliza 753 registros de ataques de cães perigosos ou agressivos em 2026. A terapeuta registrou boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito, buscando responsabilização dos donos do cão. “Eles negaram a responsabilidade, dizendo que o cachorro é manso”, afirmou Thaiane, que ainda não conseguiu retornar ao trabalho devido ao trauma físico e emocional do ataque.
O tenente Elias Cristovam, do Corpo de Bombeiros, destacou o aumento nos registros de ataques de cães nos últimos anos, especialmente em áreas urbanas. Ele alertou que muitos ataques envolvem cães com tutores, e enfatizou a importância de conduzir cães de grande porte com focinheira, mesmo que considerados dóceis. “A responsabilidade recai diretamente sobre o tutor quando um cão ataca uma pessoa”, concluiu a especialista em direito animal Lissandra Botteon.
