Eny Mauro de Faria deixou o cargo após ser afastado por má gestão e desvio de R$ 1,1 milhão.
Eny Mauro de Faria, ex-titular do 1º Tabelionato de Notas de Juiz de Fora, conhecido como Cartório Maninho Faria, renunciou ao cargo na última segunda-feira (4). A decisão ocorre após um afastamento preventivo em novembro do ano passado, quando uma investigação revelou um desvio de R$ 1,1 milhão ao longo de uma década. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O procedimento administrativo disciplinar continua em andamento na Corregedoria-Geral de Justiça. Com a renúncia, o cartório ficou oficialmente sem titular. Uma responsável interina foi nomeada até que um novo titular seja escolhido. A tabeliã Vivianne Batista Alves Borges, interventora desde 2025, afirmou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre a renúncia.
O Cartório Maninho Faria já havia sido interditado temporariamente em 2025, após a Corregedoria identificar irregularidades na gestão. Na ocasião, Eny foi afastado devido a má gestão, e seus filhos, que atuavam como tabeliães substitutos, também foram destituídos. As investigações apontaram cobranças abusivas e apropriação indevida de impostos, resultando em prejuízos superiores a R$ 1,1 milhão.
Entre os casos mais graves, destaca-se a cobrança de R$ 522 mil por um testamento em 2023, valor considerado excessivo. Em 2024, um cliente pagou quase R$ 10 mil a mais do que o devido por um inventário, e entre 2013 e 2017, o cartório reteve valores do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) que deveriam ter sido repassados ao Estado, com retenções chegando a R$ 353 mil em 2017.
A Corregedoria também identificou omissões na fiscalização e gestão do cartório, o que permitiu a continuidade das irregularidades ao longo dos anos. Apesar das irregularidades terem ocorrido entre 2013 e 2024, a intervenção foi determinada apenas em novembro de 2025, após a conclusão dos processos administrativos disciplinares e a coleta de provas sobre a gestão irregular.
