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Federação Quilombola Acusa Governador de Racismo por Declarações sobre Rodoanel

Entidade promete ações judiciais após críticas do governador Mateus Simões sobre atraso nas obras.


A Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, conhecida como N’Golo, divulgou uma nota pública nesta quarta-feira (25) acusando o governador Mateus Simões (PSD) de racismo. A entidade reagiu a declarações do governador que atribuem à comunidade quilombola a responsabilidade pelo atraso nas obras do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte e que insinuam ameaças à sua integridade.

Em suas falas, Simões declarou que poderia instalar uma placa no Anel Rodoviário responsabilizando a N’Golo por mortes na via, afirmando: “Se a justiça não me der um caminho em 30 dias, vou fazer uma placa no anel rodoviário dizendo que 50 pessoas morrem por ano graças à interferência da federação quilombola e do Ministério da Igualdade Racial sobre essa obra”. A federação considera essas declarações uma tentativa de intimidação e uma violação do Judiciário.

A N’Golo ressalta que as falas do governador representam uma tentativa de interferência no Poder Judiciário, buscando constranger os membros do Tribunal Regional Federal da 6ª Região. A entidade reivindica a realização de consultas prévias a todas as comunidades tradicionais afetadas pelo Rodoanel, enquanto o governo propõe ouvir apenas 12 das 137 comunidades solicitadas.

Além disso, a federação critica o traçado do Rodoanel, que corta a região de Vargem das Flores, em Contagem, considerada sagrada por comunidades quilombolas e importante para o abastecimento hídrico da Região Metropolitana. A N’Golo defende que o percurso seja alterado para evitar danos ambientais e culturais.

A federação anunciou que tomará medidas legais contra o governador por racismo e entrará com uma Ação Civil Pública para a remoção das declarações da mídia, além de buscar indenização por danos morais coletivos. A possibilidade de levar o caso a instâncias internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, também não está descartada. A assessoria do governo de Minas foi contatada, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

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