Universidade Federal de Juiz de Fora reconhece gravidade das práticas passadas e planeja retratação pública.
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está realizando uma consulta interna para esclarecer a compra de 67 cadáveres de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, utilizados nos cursos de saúde da instituição. A prática, que ocorreu entre 1969 e 1981, foi amplamente criticada e a universidade pretende seguir o exemplo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que já se desculpou publicamente por ações semelhantes.
Em nota, a UFJF afirmou que reconhece a gravidade das práticas do passado e que, em momento oportuno, fará uma retratação à sociedade brasileira. A UFMG, em sua declaração, pediu desculpas por ter aviltado a dignidade de pessoas falecidas, destacando a falta de consentimento das famílias para a venda dos corpos.
A venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena foi documentada no livro “Holocausto Brasileiro”, da escritora juiz-forana Daniela Arbex, que revela que pelo menos 1.857 cadáveres foram comercializados para instituições de ensino. A autora criticou a desumanização a que essas pessoas foram submetidas, afirmando que, mesmo após a morte, não tiveram seus direitos respeitados.
O Hospital Colônia de Barbacena, fundado em 1903, é um símbolo das violações de direitos humanos no Brasil, tendo recebido milhares de internos sem diagnóstico adequado. A instituição ficou marcada por condições desumanas, onde muitos pacientes foram internados compulsoriamente e expostos a maus-tratos. Ao longo das décadas, cerca de 60 mil pessoas morreram no hospital, e muitas de suas histórias foram apagadas da memória coletiva.
