Instituição conhecida por violações de direitos humanos encerra atividades após mais de um século.
O Hospital Colônia de Barbacena, famoso por suas graves violações de direitos humanos, será definitivamente fechado, conforme anunciado pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões. A decisão marca o fim das operações da instituição, que começou a reduzir suas atividades na década de 1980. A transferência dos últimos 12 pacientes, que não possuem vínculos familiares e vivem em condições específicas de saúde, será realizada em breve.
Os pacientes, que não falam e vivem em situações delicadas, serão realocados para outra instituição municipal, sob responsabilidade da prefeitura de Barbacena. O governador destacou que essa mudança representa um novo capítulo na história da cidade, enfatizando a necessidade de um tratamento mais humanizado para os pacientes remanescentes. A transferência deve ocorrer no próximo mês, embora a prefeitura ainda não tenha informado o destino exato dos pacientes.
O Hospital Colônia, criado em 1903, foi palco de inúmeras atrocidades ao longo de sua história, recebendo pessoas com transtornos mentais sem diagnóstico adequado. A instituição ficou conhecida como o ‘Holocausto brasileiro’, devido às condições desumanas que os internos enfrentaram, com apenas 30% deles tendo diagnóstico de doenças mentais. Muitos pacientes foram internados compulsoriamente e sofreram maus-tratos, resultando em cerca de 60 mil mortes ao longo das décadas.
Atualmente, o espaço funciona como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHBP) e abriga o Museu da Loucura, que preserva a memória do que foi o maior manicômio do Brasil. O fechamento do Hospital Colônia simboliza um esforço para reverter a história de descaso e violência contra pessoas com transtornos mentais na região.
