AUMENTA A PRESENÇA DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR DA ZONA DA MATA
Desafios para inclusão e acessibilidade ainda persistem nas universidades
A acessibilidade no ensino superior tem se tornado uma questão cada vez mais relevante nas universidades da Zona da Mata mineira. Embora a presença de estudantes com deficiência (PCD) tenha crescido, desafios relacionados à igualdade de condições e à autonomia ainda precisam ser enfrentados. As instituições reconhecem a importância das políticas de inclusão, mas na prática, as ações frequentemente carecem de estrutura adequada.
Thaís Altomar, jornalista e palestrante, compartilha sua experiência na universidade, onde enfrentou a necessidade de adaptações em atividades, mas também encontrou um ambiente acolhedor, especialmente na década de 1980. Ela destaca que, apesar dos avanços, a luta pela inclusão continua. Por outro lado, estudantes como Rafael Alonso, que possui paralisia cerebral, relatam experiências positivas, embora ainda enfrentem dificuldades com tecnologias assistivas.
João Victor Xavier, estudante de jornalismo, também menciona os impactos do autismo em sua vivência acadêmica. Jandira Lopes, que ficou cega após um AVC, concluiu recentemente o curso de Letras na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e enfatiza o suporte que recebeu dos professores e do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (NAI).
As opiniões dos entrevistados convergem na necessidade de melhorias nas estruturas universitárias. Kelly Scoralik, professora e pesquisadora sobre inclusão, ressalta que nenhuma universidade está totalmente adaptada, pois cada estudante possui necessidades específicas. Ela defende que as instituições devem antecipar-se às demandas dos alunos, ao invés de esperar que eles reivindiquem seus direitos.
As universidades da região, como a UFJF e a Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), têm implementado políticas de inclusão, mas a falta de recursos ainda é um obstáculo. A UFSJ, por exemplo, informou que desde 2017, com a aplicação da legislação que garante a reserva de vagas, houve um aumento significativo no número de estudantes com deficiência, mas o acompanhamento ainda é limitado. Já a Estácio Juiz de Fora destacou sua Política Institucional de Acessibilidade, que atende 37 alunos, mas também reconhece a necessidade de mais recursos para atender a demanda crescente.
Portanto, enquanto a presença de estudantes com deficiência nas universidades é um avanço significativo, a luta por uma inclusão efetiva e acessível permanece um desafio a ser enfrentado coletivamente.