Cultura Regionais

BAIRRO DOM BOSCO EM JUIZ DE FORA SE TORNA ‘MUSEU A CÉU ABERTO’

Por Redação #Região

Iniciativa valoriza a história e a cultura local através de inventário coletivo


O bairro Dom Bosco, localizado em Juiz de Fora, foi transformado em um ‘museu a céu aberto’ por meio do projeto ‘Museu de Território Dom Bosco’, que visa resgatar a memória e a identidade da comunidade. A iniciativa, que teve seu primeiro tour em junho, é resultado de um inventário coletivo realizado por moradores em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O projeto destaca a ocupação urbana do bairro, as soluções populares de mobilidade e a rota das águas, além de incluir locais de memória indicados pela própria comunidade. Durante a primeira visita guiada, os participantes puderam conhecer a adaptação da população local em relação à moradia e às diversas formas de ocupação, além de explorar a importância de poços e bicas para a sociabilidade.

O coordenador do projeto, Edwaldo Sérgio, enfatizou a relevância da forte presença da população negra na formação histórica do bairro e como isso se relaciona com questões de racismo ambiental. A professora Raquel Von Randow, da UFJF, destacou que áreas de risco em Juiz de Fora concentram uma população majoritariamente negra e famílias chefiadas por mulheres, refletindo uma realidade de vulnerabilidade.

A união da comunidade é um dos pilares do projeto, conforme ressaltado por lideranças locais. Eliana das Neves Pereira, conhecida como Doca, mencionou que o museu serve para preservar a sabedoria dos mais velhos e fortalecer a autoestima da população. Jade Dias, outra liderança, falou sobre a convivência pacífica entre os moradores, independentemente de suas crenças religiosas.

O ‘Museu de Território Dom Bosco’ é resultado de um esforço colaborativo entre a UFJF, o Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (Maea) e entidades locais, envolvendo cerca de 25 pessoas, incluindo professores, estudantes e moradores. Nos próximos meses, o projeto pretende expandir o mapeamento cultural para outras áreas do bairro, como a Grota e o 511.

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