BRASIL REALIZA PRIMEIRO TRANSPLANTE RENAL PAREADO ENTRE HOSPITAIS DIFERENTES
Troca de rins entre famílias viabiliza procedimento inédito entre a Santa Casa de Juiz de Fora e o Hospital das Clínicas da USP.
O Brasil alcançou um marco na medicina com a realização do primeiro transplante renal pareado entre hospitais distintos. O procedimento inédito ocorreu na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora e no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), beneficiando Rafael Veloso, de 40 anos, e Dirlene Nunes Parente, de 73 anos, que não tinham doadores compatíveis entre seus familiares.
A prima de Rafael, Ana Paula Fernandes, doou um rim para Dirlene em São Paulo, enquanto o filho de Dirlene, Hugo Parente, fez a doação para Rafael em Juiz de Fora. As cirurgias ocorreram simultaneamente em quatro salas cirúrgicas nas duas instituições, com a identificação dos doadores levando apenas duas semanas.
Apesar de ser uma prática comum em outros países, o transplante renal pareado ainda não é regulamentado no Brasil e requer autorização judicial. Este procedimento faz parte de um protocolo de pesquisa do Hospital das Clínicas da USP, que visa ampliar o número de transplantes e diminuir o tempo de espera por órgãos.
Rafael e Dirlene, que estavam em hemodiálise, expressaram sua gratidão pela oportunidade de retomar uma vida normal. Rafael, que havia perdido um rim transplantado anteriormente, enfrentava uma rotina desgastante de sessões de hemodiálise. Dirlene, após anos de tratamento, viu sua situação se agravar e precisou aumentar a frequência das sessões para cinco vezes por semana.
A expectativa é que a técnica de transplante pareado seja incorporada ao sistema público de transplantes no futuro, permitindo que mais pacientes tenham acesso a doações de órgãos. O diretor do Serviço de Transplante Renal do Hospital das Clínicas, Elias David Neto, destaca a importância da regulamentação para aumentar o número de transplantes com doadores vivos, seguindo o exemplo de países desenvolvidos.