CANOÍSTAS ENFRENTAM DESAFIOS NA FOZ DO RIO PARÁ DURANTE EXPEDIÇÃO
Expedição Rio Pará Vivo 2026 revela aumento no desmatamento e poluição, mas também sinais de recuperação ambiental.
Canoístas participaram da Expedição Rio Pará Vivo 2026, que teve seu ponto culminante na foz do Rio Pará, em Pompéu, no dia 16 de maio. A jornada de seis dias, organizada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH), teve como objetivo diagnosticar e proteger este importante afluente do Rio São Francisco, que enfrenta sérios problemas de degradação ambiental.
Durante a expedição, os participantes navegaram por um trecho que, apesar de considerado fácil na maior parte do percurso, apresentou desafios significativos na foz, onde as águas turbulentas do Rio São Francisco se encontram com o Rio Pará. A atividade também destacou a necessidade de preservação, uma vez que o desmatamento na região aumentou 106,9% nesta década, com a supressão de matas ciliares atingindo níveis alarmantes.
Os dados coletados revelaram que 97% do desmatamento atual afeta matas secundárias, dificultando a regeneração das margens, que já haviam perdido 50 hectares de vegetação nos anos 1990. Apesar desse cenário preocupante, a qualidade da água no trecho final da expedição apresentou sinais de recuperação, com 70% das amostras indicando boa qualidade, impulsionada pela contribuição de afluentes mais limpos.
A expedição, que percorreu oito municípios, começou em Resende Costa e passou por Passa Tempo, Carmo do Cajuru, Divinópolis, Pitangui, Conceição do Pará, Martinho Campos e culminou em Pompéu. O presidente do CBH, José Hermano Oliveira Franco, enfatizou a importância da conscientização sobre o uso responsável das águas e a necessidade de um diálogo aberto com a comunidade e o agronegócio, que desempenham papéis cruciais na preservação do Rio Pará.
Com iniciativas como o Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, que investe R$ 3,7 milhões em práticas de conservação, a expedição não apenas promoveu a conscientização, mas também buscou soluções práticas para os desafios enfrentados pela bacia. O evento contou ainda com atividades culturais e educativas, reforçando a importância do engajamento coletivo na defesa das águas da região.