ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CORDISBURGO ENFRENTA ABANDONO E CLAMA POR PRESERVAÇÃO
Construção centenária, que marcou a infância de Guimarães Rosa, está deteriorada e sem cuidados.
A Estação Ferroviária de Cordisburgo, cidade natal do renomado escritor João Guimarães Rosa, está em estado de abandono, o que gera preocupação entre moradores e admiradores da obra do autor. A construção, datada de 1904, foi o local de partida do menino Joaozinho, que, aos nove anos, embarcou com sua família rumo a Belo Horizonte em busca de educação e uma nova vida. Atualmente, o telhado da estação apresenta várias infiltrações e os vidros estão quebrados, evidenciando a falta de manutenção.
Uma placa na estação informa que o local é um marco territorial do Museu Casa Guimarães Rosa, sinalizando a importância do espaço na geografia da obra do escritor. Em sua visita, uma turista expressou indignação ao observar as condições do patrimônio, ressaltando que a estação é mencionada em uma das histórias de Guimarães Rosa, onde a protagonista leva sua mãe e filha, ambas com problemas mentais, para pegar um trem em direção ao antigo hospício de Barbacena.
A situação da estação não é apenas uma questão estética, mas também cultural, já que ela representa um capítulo importante na história da literatura mineira. Moradores locais têm se mobilizado para chamar a atenção das autoridades sobre a necessidade de preservar o local, especialmente em um momento em que se celebram aniversários de obras significativas do autor, como ‘Grande Sertão: Veredas’ e ‘Sagarana’.
A VLI, empresa responsável pela linha ferroviária, foi contatada, mas não forneceu detalhes sobre planos de restauração ou preservação da estação. A comunidade clama por ações que garantam a conservação deste patrimônio, que não deve ser esquecido ou reduzido a uma mera lembrança.