MINAS GERAIS CARECE DE PLANEJAMENTO PARA DESASTRES AMBIENTAIS, APONTA AUDITORIA
Estudo revela falhas na gestão de riscos e priorização de ações reativas em vez de preventivas.
Minas Gerais, historicamente afetado por desastres naturais, enfrenta sérios desafios em seu planejamento e prevenção de eventos climáticos extremos. Um relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) destaca que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) opera em um modelo reativo, com escassez de recursos e ferramentas adequadas para antecipar crises. A pesquisa, conduzida pela professora Michelle Simões Riboita, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), enfatiza que o estado precisa urgentemente repensar suas prioridades, focando na prevenção em vez de apenas na resposta a desastres.
Riboita ressalta que as mudanças climáticas têm intensificado as condições extremas no estado, com secas no Norte e chuvas intensas no Sul. No entanto, as ações do governo ainda priorizam o asfaltamento de vias, que contribui para alagamentos e aumento da temperatura nas cidades. “Precisamos de espaços de resfriamento e medidas que reduzam os gases que intensificam o efeito estufa”, afirma a pesquisadora.
Além disso, o TCEMG identificou que menos de 1,1% do orçamento da Defesa Civil foi destinado a ações preventivas entre 2020 e 2024, enquanto aproximadamente 98,9% foram gastos em respostas pós-desastre. A falta de um mapeamento de áreas de risco confiável e a desconexão de dados entre órgãos ambientais dificultam a eficácia das ações preventivas. O estudo conclui que a atualização do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil é essencial para alinhar Minas Gerais às diretrizes globais de prevenção de desastres.