MPF SOLICITA INDENIZAÇÃO DE R$ 13,7 MILHÕES POR VENDA DE CORPOS EM BARBACENA
Ação busca responsabilizar instituições pela comercialização de corpos de pacientes do Hospital Colônia.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação na Justiça visando responsabilizar instituições públicas de Minas Gerais e a União pela venda de corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, conhecido como o maior manicômio do Brasil. A ação busca reparar a venda de corpos que ocorreu entre 1971 e 1975, quando pelo menos 105 corpos de pacientes foram utilizados em aulas de dissecção na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. O valor da indenização pode alcançar R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos, além de R$ 1,1 milhão que deverá ser destinado pela Faculdade Educacional Lucas Machado (Feluma) para financiar pesquisas acadêmicas sobre o tema.
As investigações apontam que cada corpo era vendido por 50 cruzeiros novos, valor que cobria custos de conservação e transporte. O caso do Hospital Colônia ganhou notoriedade a partir de reportagens da jornalista Daniela Arbex, que revelaram as condições desumanas em que cerca de 60 mil pessoas teriam morrido durante os 80 anos de funcionamento da instituição. A ação do MPF visa não apenas a responsabilização histórica, mas também a implementação de medidas de Justiça de Transição para reparar as graves violações de direitos humanos cometidas contra os internos.
A iniciativa do MPF é parte de uma estratégia mais ampla para investigar a política de internação compulsória em massa em Minas Gerais. Casos semelhantes já foram resolvidos por meio de diálogo, como no caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que em abril de 2026 reconheceu a compra de corpos e pediu desculpas públicas. Entretanto, a Faculdade de Ciências Médicas não conseguiu chegar a um consenso com o MPF, resultando na ação judicial.
Além da indenização, a ação requer que as instituições e a União adotem medidas concretas, como um pedido formal de desculpas, preservação da memória das vítimas e a inclusão de temas relacionados a direitos humanos nos currículos acadêmicos. A Faculdade de Ciências Médicas e sua mantenedora afirmaram estar colaborando com as investigações, mas não anteciparam conclusões sobre os eventos históricos em análise. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a Advocacia-Geral da União também se manifestaram, informando que ainda não foram notificadas sobre a ação.