OPERAÇÃO RESGATA 89 TRABALHADORES EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO NA ZONA DA MATA
Trabalhadores foram encontrados sem registro em carteira e em alojamentos degradantes.
Uma operação da Auditoria-Fiscal do Trabalho resultou no resgate de 89 trabalhadores em condições análogas à escravidão em três fazendas de café na Zona da Mata Mineira. A ação, que ocorreu entre os dias 19 e 30 de julho, revelou irregularidades graves em propriedades localizadas nos municípios de Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu.
Os trabalhadores, que não possuíam registro em carteira, enfrentavam condições precárias, como a falta de instalações sanitárias, obrigando-os a fazer necessidades fisiológicas no mato. Além disso, os alojamentos eram insalubres, com beliches improvisados, sujeira e ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs).
O auditor-fiscal do Trabalho, Wallace Pacheco, destacou que as empresas envolvidas foram notificadas para regularizar os contratos de trabalho e quitar as verbas rescisórias. “Todas as empresas serão autuadas por diversas irregularidades, incluindo a ausência de registro dos trabalhadores e falhas relacionadas ao meio ambiente de trabalho e às condições mínimas de dignidade”, afirmou Pacheco.
As imagens da operação revelaram a realidade alarmante enfrentada pelos trabalhadores, que dormiam em locais sem higiene adequada e com alimentos armazenados em meio a colchões. A situação foi considerada ainda mais grave pela presença de mulheres entre os resgatados.
As três empresas responsabilizadas já pagaram cerca de R$ 654,6 mil em verbas rescisórias, mas uma delas ainda não regularizou completamente a situação e poderá enfrentar novas ações administrativas e judiciais. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também está tomando providências contra essas irregularidades, propondo Termos de Ajuste de Conduta (TACs) aos empregadores envolvidos.