SEIS MESES APÓS TRAGÉDIA EM JUIZ DE FORA, MULHER TENTA RECONSTRUIR A VIDA SEM O NOIVO
Taciélle Rufino Cunha relembra o ato heroico do noivo, que a salvou durante deslizamento de terra.
Seis meses após a tragédia provocada pelas chuvas em Juiz de Fora, Taciélle Rufino Cunha enfrenta o desafio de ‘reaprender a viver sozinha’ sem seu noivo, Reinaldo Neiva Ferreira, que a salvou durante um deslizamento de terra. O incidente ocorreu na noite de 23 de fevereiro de 2026, quando uma avalanche de terra atingiu o prédio onde o casal morava, no bairro Paineiras. Reinaldo, de 36 anos, conseguiu empurrá-la para longe do perigo, mas não teve tempo de escapar e acabou morrendo.
“Ele veio, me empurrou. Ele estava logo atrás de mim. Só que a terra foi empurrando ele para o fundo do prédio. No último momento da vida dele, ele salvou a minha vida”, relatou Taciélle, que ainda lida com a dor da perda. A ausência do noivo, que era policial penal, é uma constante em sua rotina. “Chegar em casa e não ter mais a companhia dele, acordar nos fins de semana, estou tendo que reaprender a viver sozinha”, afirmou.
Em homenagem ao ato heroico de Reinaldo, ele recebeu, postumamente, a Medalha do Mérito Tenente-Coronel João Batista de Assis em junho deste ano. A tragédia em Juiz de Fora resultou em 66 mortes, sendo considerada uma das mais devastadoras da última década no Brasil.
Outra sobrevivente, Renata Garcia Silva, também carrega as marcas da tragédia. Ela perdeu 17 familiares, incluindo sua mãe e irmãos, e ainda vive com o medo que as chuvas provocam. “Quando o céu fecha, a gente já fica pensando para onde vai. A sensação é que estamos lá ainda nessa tragédia”, desabafou. Renata e seus filhos habitam uma casa provisória, equipada com doações, e encontra forças na memória dos entes queridos que se foram.
A cidade de Ubá, a cerca de 110 quilômetros de Juiz de Fora, também foi severamente afetada pelas chuvas, resultando na morte de oito pessoas. Edna Almeida, uma das sobreviventes, ficou agarrada a um poste por três horas durante a correnteza. Após a tragédia, ela reabriu seu restaurante, que havia sido inundado, e expressou sua determinação em reconstruir sua vida: “Isso aqui é minha vida. Independente se vai vir 200 pessoas ou cinco, eu venho e faço com o mesmo prazer”. Seis meses após o desastre, as histórias de Taciélle, Renata e Edna refletem a luta pela superação e a busca por novas rotinas após a tragédia.