SETE MURIQUIS-DO-NORTE SÃO REINTRODUZIDOS NA MATA ATLÂNTICA EM MG
A soltura ocorreu após sete anos de manejo e pesquisa, com apoio de instituições de conservação.
Sete muriquis-do-norte, uma das espécies mais ameaçadas do Brasil, foram reintroduzidos na natureza em Minas Gerais no início de agosto. A soltura aconteceu em uma área de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca, após um longo período de manejo e pesquisa que durou sete anos. Os primatas deixaram um recinto conhecido como ‘Muriqui House’ por uma passarela de madeira, onde puderam escolher voluntariamente o momento de se aventurar na floresta.
A operação de soltura foi coordenada pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), em parceria com o Ibiti Projeto, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Ibama-MG e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Uma semana antes, outros três muriquis foram soltos na mesma região, com a expectativa de que os dois grupos se encontrem e formem uma nova população com maior diversidade genética.
O projeto teve início em 2017, quando uma fêmea chamada Esmeralda foi resgatada após viver sozinha por cinco anos em uma área de mata. Desde então, o MIB tem trabalhado para reunir e proteger os muriquis, criando a Muriqui House em 2018, que atualmente abriga outros indivíduos e realiza atividades de conservação da espécie. O muriqui-do-norte é endêmico da Mata Atlântica e atualmente existem cerca de mil indivíduos em apenas 12 localidades no Sudeste do Brasil.
Os pesquisadores ressaltam que a reintrodução é uma estratégia de conservação complexa, e o acompanhamento dos muriquis continuará para avaliar sua adaptação ao novo habitat. Fabiano Melo, primatólogo e professor da UFV, destacou que esta é a primeira vez que um grupo de muriquis é formado na mata por meio de um manejo dessa complexidade, enfatizando a importância do aprendizado contínuo neste processo.