Sobreviventes compartilham experiências e a cidade se reergue com solidariedade.
Dois meses após a enchente histórica que devastou Ubá, a cidade se levanta com histórias de superação e resiliência. Na madrugada de 24 de fevereiro, a água invadiu ruas e casas, mudando a vida de muitos moradores. Ana Magalhães, uma das sobreviventes, relatou como a situação se agravou rapidamente: “Coloquei os pés no chão e senti a água na altura da canela. Minha casa nunca tinha alagado. Naquele momento, percebi que algo muito grave estava acontecendo”.
Durante a enchente, Ana se manteve calma, mesmo com a água subindo e o medo crescendo. Ela fez videochamadas com suas filhas, tentando tranquilizá-las enquanto aguardava o socorro. “A água estava no meu pescoço, mas eu dizia: estou bem. Eu precisava tranquilizar minhas filhas”, contou.
A ajuda chegou com os bombeiros, mas a situação era crítica devido à falta de botes. Um morador, Gil Gomes, emprestou seu bote, permitindo que Ana e outros fossem resgatados. “Fui salva pelos bombeiros, usando o bote do Gil. Isso a gente nunca esquece”, afirmou Ana.
Após o resgate, Ana deixou sua casa e encontrou abrigo com amigos, lidando com as marcas emocionais deixadas pela tragédia. “As noites não foram fáceis. Precisei de médico. Não é simples passar por isso aos 80 anos”, disse, expressando gratidão pela ajuda recebida.
Hoje, Ana celebra seu renascimento, marcando o 24 de fevereiro como um novo início. A cidade de Ubá continua em processo de reconstrução, lembrando que a memória é essencial para evitar que tragédias como essa se repitam. O projeto Fala Sodré tem sido fundamental para registrar essas histórias e humanizar a narrativa da cidade.
