Maria Teresa, que já convivia com dor intensa, foi desalojada e vive em condições precárias.
Maria Teresa do Vale Oliveira, de 75 anos, enfrenta uma batalha diária contra a neuralgia do trigêmeo, uma condição que provoca dores intensas, conhecidas como a ‘pior dor do mundo’. Desde o temporal que atingiu Juiz de Fora em 23 de fevereiro, que resultou na morte de 66 pessoas, sua situação se agravou. A aposentada foi forçada a deixar a casa onde viveu por mais de 40 anos, localizada no bairro Monte Castelo, após a inundação que a atingiu com lama e alagamento.
Após o desastre, Maria Teresa e sua família passaram por diversos abrigos antes de se mudarem para um imóvel alugado, onde atualmente vivem em condições improvisadas. O novo lar, próximo à antiga residência, carece das adaptações necessárias para sua saúde, e a família enfrenta dificuldades financeiras, com despesas mensais superiores a R$ 500 apenas com medicamentos, que não são totalmente cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A idosa ainda luta com as memórias traumáticas do dia da enchente, quando a água subiu rapidamente, levando seus pertences e deixando marcas visíveis nas paredes de sua antiga casa. “A chuva levou a vida que construí ali”, desabafa Maria Teresa, que também perdeu sua máquina de costura, um bem que representava não apenas uma fonte de renda, mas também um vínculo emocional e terapêutico.
Atualmente, a família aguarda o pagamento do Auxílio Reconstrução, no valor de R$ 7,3 mil, além de um benefício municipal de R$ 800 destinado às vítimas. No entanto, ainda não receberam retorno sobre a solicitação, e a situação se torna cada vez mais angustiante. “As lembranças não vão embora. Quando escurece, eu já fico preocupada, tenho medo de outra chuva”, relata Maria Teresa, que anseia por respostas e pela possibilidade de retornar ao seu lar.
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que as vistorias nas residências afetadas estão em andamento, e que as avaliações são realizadas conforme a prioridade técnica, dada a grande quantidade de ocorrências na cidade desde o desastre.
