Especialista aponta ocupação irregular e relevo acidentado como fatores agravantes
As chuvas intensas que atingiram Juiz de Fora, completando dois meses nesta quinta-feira (23), resultaram em uma tragédia que deixou 66 mortos. O doutor e mestre em Engenharia Civil, Jordan Henrique de Souza, explica que a combinação de um temporal extremo, a topografia acidentada e a ocupação urbana em áreas vulneráveis foram determinantes para a gravidade da situação.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora figura entre as dez cidades do Brasil com maior população em áreas de risco desde 2018. O professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ressalta que a ocupação descontrolada de morros e encostas ao longo das décadas agravou os impactos das chuvas, levando a deslizamentos e alagamentos.
Jordan destaca que a topografia da cidade, marcada por ladeiras e morros, não é o principal problema, mas sim a maneira como a ocupação urbana foi realizada. Ele alerta que as áreas consideradas seguras podem se tornar vulneráveis com o tempo devido a intervenções inadequadas e à falta de políticas habitacionais eficazes.
Os deslizamentos de terra e os alagamentos foram mais intensos em bairros como Jardim Natal e Industrial, onde a saturação do solo precedeu os escorregamentos. O professor enfatiza a necessidade de um modelo de cidade resiliente, capaz de se preparar e se recuperar de eventos extremos, minimizando os danos à população.
A tragédia em Juiz de Fora serve como um alerta para a importância de políticas que promovam a ocupação responsável do solo e a preparação para desastres naturais. A mobilização comunitária e o fortalecimento das estratégias de prevenção são essenciais para evitar que episódios como este se repitam no futuro.
