DESMATAMENTO DA MATA CILIAR DO RIO PARÁ AUMENTA 38% EM QUATRO ANOS
Expedição Rio Pará Vivo 2026 denuncia a pressão ambiental e busca conscientização sobre a preservação.
A perda de mata ciliar ao longo do Rio Pará, em Minas Gerais, registrou um aumento alarmante de 38% entre 2020 e 2024. Dados da rede de universidades, institutos e ONGs Mapbiomas revelam que a média de desmatamento nas margens do rio saltou de 4 hectares por ano, na década de 2010, para 5,5 hectares anuais na atual década. Essa intensificação da derrubada atinge especialmente áreas em regeneração, comprometendo a recuperação dos ecossistemas locais.
A Expedição Rio Pará Vivo 2026, que teve início em 11 de maio e se estende até o dia 16, percorre o curso d’água do rio com o objetivo de denunciar as pressões ambientais e promover a conscientização sobre a importância da preservação das matas ciliares. Segundo o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Pará, José Hermano Oliveira Franco, a expedição busca dar visibilidade aos problemas enfrentados pelos povos indígenas da região, que dependem do rio para sua sobrevivência.
As matas ciliares são essenciais para a manutenção do equilíbrio ecológico, pois protegem o solo contra a erosão, filtram poluentes e sustentam a biodiversidade. No entanto, a atual dinâmica de desmatamento mostra uma inversão preocupante, onde áreas em recuperação estão sendo devastadas em um ritmo alarmante. Em Desterro de Entre Rios, por exemplo, a média de desmatamento aumentou em 352% entre 2010 e 2024.
Os dados revelam que a pressão sobre as matas ciliares não é apenas uma questão de desmatamento, mas também de um ciclo contínuo de degradação, onde a vegetação que tenta se regenerar está sendo cortada em maior volume do que a mata original. A situação é crítica, especialmente em trechos do rio que já foram epicentros de desmatamento, como o segmento entre Martinho Campos e Pompéu, onde a derrubada de vegetação aumentou em 106,9% na atual década.
A Expedição Rio Pará Vivo 2026 também destaca a importância de integrar as comunidades indígenas na luta pela preservação. Os Kaxixós, que habitam as margens do rio, enfrentam desafios como a pesca predatória e a pressão sobre suas terras. A programação da expedição inclui eventos de valorização cultural e conscientização ambiental, buscando unir esforços pela conservação do Rio Pará e suas matas ciliares.