Política Regionais

EX-DEPUTADO EDUARDO CUNHA DIRECIONOU EMENDAS A CIDADES MINEIRAS SEM MANDATO

Por Redação #Região

Investigação da Polícia Federal revela que Cunha atuou na distribuição de R$ 6,15 milhões em emendas parlamentares.


Uma investigação da Polícia Federal revelou que o ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos) direcionou emendas parlamentares a municípios mineiros mesmo sem mandato. Ao todo, foram identificadas 29 emendas, totalizando R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 6,1 milhões do ex-presidente da Câmara dos Deputados e suspendeu a execução das emendas sob investigação.

De acordo com o ministro, Cunha atuava na definição dos valores e na escolha das cidades beneficiadas, apesar de estar fora do Congresso há quase uma década. A investigação aponta que ele operava um “arranjo decisório paralelo” para influenciar a destinação das verbas públicas, contando com a ajuda da servidora da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”.

Entre os municípios mineiros que receberam recursos estão Varjão de Minas, Raul Soares, Lajinha e Piau, com Varjão de Minas sendo o mais beneficiado, recebendo R$ 590 mil. As investigações também revelaram que Cunha administrava uma espécie de reserva informal de recursos voltada para Minas Gerais, o que demonstra desvios de funções típicas de liderança partidária.

Cunha, que foi cassado em 2016 e busca retornar à Câmara dos Deputados pelo estado mineiro, não possui vínculo político com Minas Gerais, o que foi destacado na decisão de Dino. O ex-deputado é acusado de operar como um agente privado com poderes políticos equivalentes aos de parlamentares em exercício, interferindo na alocação de recursos federais sem autorização institucional.

Além do bloqueio de R$ 6,1 milhões, o ministro determinou a suspensão da execução das emendas investigadas e intimou a Câmara dos Deputados a apresentar toda a documentação referente à tramitação interna dos recursos em dez dias. A defesa de Cunha se manifestou, afirmando que ele não foi intimado antes do bloqueio e que não apresentou as emendas, atribuindo essa responsabilidade a parlamentares e órgãos competentes.

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