GOVERNO E OPOSIÇÃO DEBATEM DESTINO DE BENS DO PALÁCIO DAS MANGABEIRAS
Audiência pública na ALMG revela divergências sobre a gestão do acervo histórico.
Na última quinta-feira (16), durante uma audiência pública na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), governo e oposição apresentaram visões divergentes sobre o destino dos bens do Palácio das Mangabeiras, localizado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O palácio, projetado por Oscar Niemeyer e construído entre 1951 e 1955, foi residência oficial dos governadores de Minas Gerais.
A presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, afirmou que não houve desaparecimento de itens do acervo e que todos os bens estão devidamente armazenados e inventariados. “Não existe desaparecimento de bens, todos estão armazenados e inventariados. Temos o inventário, o que fizemos foi a sistematização e organização das informações”, declarou.
Barreto apresentou fotos de itens que compunham o Palácio, incluindo obras de arte e objetos de prataria, e ressaltou que o Estado não realiza inventários de bens de consumo, como talheres e almofadas. Ela também mencionou que o processo de tombamento do Palácio ainda está em andamento desde 2018.
Por outro lado, o deputado Leleco Pimentel (PT) contestou a versão do governo, afirmando que a documentação apresentada não permite verificar o paradeiro dos itens. “Não há como você ter uma fiscalização sem o inventário de fato do que havia no palácio”, criticou o parlamentar, que também levantou preocupações sobre a falta de clareza em relação a quais itens foram leiloados ou transferidos.
A audiência também abordou a cessão do Palácio para a gestão de uma entidade privada, que realiza eventos no local. A deputada Lohana França (PV) questionou a legalidade dessa entrega e informou que acionou o Ministério Público de Minas Gerais para investigar a situação.
Uma nova audiência deverá ser marcada para aprofundar a discussão sobre o acervo do Palácio das Mangabeiras e sua gestão.