NOVE PESSOAS DENUNCIADAS POR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA EM LEOPOLDINA
Grupo ligado ao Comando Vermelho é alvo da Operação Quione, com foco na nova Lei Antifacção.
Nove indivíduos foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por integrarem uma organização criminosa associada ao Comando Vermelho, que operava em Leopoldina e em cidades vizinhas. A denúncia foi formalizada nesta quarta-feira (2), com base nas investigações da Operação Quione, que visa desarticular uma rede criminosa que atua na Zona da Mata mineira e no estado do Rio de Janeiro.
A Operação Quione foi deflagrada em julho e já resultou no cumprimento de 70 mandados judiciais, incluindo 27 prisões preventivas e 43 buscas e apreensões nas cidades de Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no Rio de Janeiro. As investigações levaram à apreensão de mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas, além da documentação de casos de violência extrema, como torturas, espancamentos e ameaças.
Esta denúncia é uma das primeiras a ser fundamentada na nova Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, que estabelece um marco legal para o combate ao crime organizado, criando tipos penais específicos para enfrentar organizações que utilizam violência e ameaças para controlar comunidades. O grupo denunciado mantinha uma estrutura organizada, com funções definidas e logística de distribuição de drogas provenientes do Rio de Janeiro, além de exercer domínio territorial em bairros de Leopoldina e cidades vizinhas.
Os acusados também são investigados por empregar violência e intimidação para controlar os moradores, impondo regras de convivência e promovendo punições através de “tribunais do crime”. O recrutamento de adolescentes para atividades ilícitas e ações para consolidar a influência da facção nas comunidades, como o financiamento de eventos locais, também foram identificados. A denúncia destaca a padronização logística dos entorpecentes apreendidos, evidenciando uma cadeia centralizada de fornecimento e distribuição entre o Rio de Janeiro e a Zona da Mata.
O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário, que avaliará o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal. A operação contou com a colaboração do MPMG, policiais militares, e apoio do Gaeco e do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro.