Governador de Minas Gerais e ex-governador protagonizam evento marcado por discursos políticos
A cerimônia de entrega da Grande Medalha da Inconfidência, realizada em Ouro Preto no dia 21 de abril, teve como protagonistas o atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o ex-governador Romeu Zema. O evento, que homenageia personalidades e instituições que se destacaram por suas contribuições ao estado, foi marcado pela ausência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que não compareceu à solenidade. Sua falta gerou especulações sobre as razões, especialmente considerando o contexto político atual, onde Zema busca se posicionar como uma figura de oposição ao STF e ao governo federal.
Zema, que recebeu visibilidade na mídia nacional após um discurso no qual se opôs à atuação do STF, utilizou a cerimônia para reforçar sua imagem política. Ele se apresentou como a ‘encarnação do bem’, enquanto caracterizava o STF e outras instituições como representantes do ‘mal’. Essa estratégia busca capitalizar sobre a frustração popular em relação às instituições democráticas, que muitos consideram em crise. Um levantamento do Datafolha revela que 71% da população considera o STF essencial para a defesa da democracia, apesar das críticas que 75% dos entrevistados fazem sobre o envolvimento de alguns ministros em polêmicas.
Durante o evento, Mateus Simões também fez uma referência ao papel da cultura e da educação, destacando a importância de uma formação cívica nas escolas. O prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, criticou a proposta de escolas cívico-militares, defendida por Simões, ressaltando a necessidade de um aprendizado voltado para a história e a cultura.
A cerimônia também contou com a presença de poucos parlamentares, entre eles o deputado federal Pedro Aihara e os estaduais Noraldino Júnior e Marquinhos Lemos. A ausência de outros homenageados, como o ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, que também recebeu a medalha, foi notada, evidenciando as tensões políticas que permeiam o evento. Zema e Simões, ao se posicionarem em lados opostos de diversas questões, demonstram a polarização que caracteriza o cenário político mineiro e nacional atualmente.
